Os Estados Unidos e o Estado de Negação

09-01-2021
 Como já é sabido por todos, Donald Trump está a evitar a todos os custos deixar o seu cargo de Presidente dos Estados Unidos da América e passar a tocha a Joe Biden, a começar na recontagem de votos até às tentativas com chamadas telefónicas para o Estado da Geórgia de modo a encontrarem votos a todo o custo para se manter no cargo.

 Nas eleições americanas o sufrágio é indireto, ou seja, quando o eleitor americano vota, está realmente a votar para os "Grandes Eleitores" do seu distrito em cada estado por pequenos círculos uninominais, que, posteriormente, juntamente com todos os outros "Grandes Eleitores" escolhidos de cada estado, estabelecendo estes o Colégio Eleitoral que irão fazer uma votação para escolher aquele que será aclamado o próximo Presidente da República.

 Trump lançou a sua última jogada, em tons quase desesperantes, tentando, com a ajuda já de mais de 100 membros da câmara alta que terão de confirmar os votos do colégio eleitoral, um ato que nada mais é que formal, para tirar Joe Biden da sua tomada de posse no dia 20 de janeiro.

 Estas jogadas de Trump que jubilariam Maquiavel, abrem precedentes nunca antes vistos na política americana, criando descrenças nas próprias instituições, atos eleitorais, pressionando as autoridades eleitorais com chamadas divulgadas pelo jornal Washington Post e consequentemente a descredibilização de toda uma classe política americana que fará o eleitor americano perder o seu interesse pela atividade política com toda a sua descrença. Como sabido por todos e também notório em Portugal, as descrenças anteriormente faladas levarão à menor participação política, aumentando abstenções e denegrindo ainda mais a democracia até que surja um novo descontentamento/desunião popular como a deste ano, que levou a um número recorde de americanos às urnas.

 No fim quem perde é o povo que, no meio destes maquiavelismos, divididos pelas conquistas dos seus políticos acreditam num "8 ou 80", onde a moderação escassa e os extremos "pro eleição fraudulenta" e "pro eleição justa" se tornam a única dualidade possível, criando uma divergência mais contundente entre o seu povo e aproximando-se cada vez mais do que consideramos uma democracia cada vez mais imperfeita.

 A América tem de finalmente se impor, entender, ensinar a Trump, e a qualquer político que desafie a democracia que a tripartição de poderes teorizada por Montesquieu não pode ser abalada e serem feitas "mixórdias" pois a democracia é feita pelo voto soberano do povo, e não usando os outros poderes como o judicial para a conquista dele próprio. 


Samuel Martins  

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