Feminismo em tempos de Pandemia
A pandemia exacerbou quase todo o tipo de injustiça social. Matou desproporcionalmente mulheres pobres, indígenas e negras. As mulheres da classe trabalhadora, não só correm mais risco de contrair o vírus como também estão "sobre representadas" no desempeno de funções de cuidados essenciais.Esta crise tem trazido alguma iluminação às desigualdades que existem nas nossas sociedades, e até mesmo às inadequações dos sistemas de saúde.
Quando refletimos sobre a situação atual do mundo não só estamos a viver uma crise de saúde pública e económica, como também uma crise feminista. Desde o início da pandemia que muitas mulheres se têm visto forçadas a sair dos seus trabalhos. Com o fecho de escolas e o isolamento doméstico, o trabalho de cuidar de muitas crianças passou diretamente para as mães, que não só têm de trabalhar através de casa em situações precárias, como também tomar conta dos seus filhos. Muitas delas têm ainda de se preocupar com o trabalho doméstico.
Em Portugal, foi lançado um estudo que indica que as mulheres têm enfrentado um maior stress durante a pandemia. Em grande parte dos relacionamentos é mais provável as mulheres ganharem menos do que os homens, o que significa que os seus empregos são considerados de menor prioridade quando surgem interrupções. E essas interrupções específicas podem durar meses, em vez de semanas. Os ganhos vitalícios de algumas mulheres nunca serão recuperados.
Catarina Rodrigues